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Antônio Ferreira da Silva Neto é professor do curso de desenho industrial da Universidade do Estado da Bahia, onde também coordena o curso de especialização em Design Gráfico. O conhecimento adquirido na sua formação em Desenho e Plástica e em Psicanálise, pela Escola Brasileira de Psicanálise, resultaram na dissertação de mestrado sobre Fotografia e Psicanálise. Como fotógrafo, Neto participou de exposições internacionais, como o 3o Salão Internacional de Fotografia, em São Paulo, e a Exposição Comemorativa da Universidade de Bielefeld, Alemanha, e de mostras nacionais, como o Salão Nacional de Arte Fotográfica, em Salvador.

Quando começou seu contato com a fotografia?
Quando fui estudar nos Estados Unidos. Fiz o segundo grau na cidade de Lone Wolf, no estado de Oklahoma. Lá tive o primeiro contato com a arte fotográfica e, posteriormente, na graduação na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.

Como você define a essência do seu trabalho como fotógrafo?
Penso que para a fotografia não exista definição. Talvez uma forma de olhar diferenciada do cotidiano que tanto aprisiona o “ver”. Creio também nos detalhes que surgem pela lente que possibilita a ampliação do sentir uma história que às vezes passa desapercebida à visão escópica do sujeito.

Você identifica fases no conjunto do seu trabalho? O que marcou cada uma delas?

Não tenho fases no meu ato de fotografar. Percebo que com o passar dos anos, as fotos que fiz e continuo a produzir, estão fiel ao meu desejo. Apenas mais aguçadas e ferinas no apontar da apropriação de uma estética um pouco diferenciada.

Qual a importância da fotografia no trabalho do designer?
São muitas. Principalmente no que diz de um aprimoramento e seleção da luz, enquadramento, composição, ritmo, harmonia, atenção entre outros.

Como o designer pode aproveitar melhor os recursos oferecidos pela fotografia?
Não só no que diz respeito ao registro, mais principalmente na integração conteúdo e forma, criação e criatividade no desenvolvimento das atividades pertinentes ao design. Fazer fotografia é também fazer design.

Você também é psicanalista e tem estudos sobre fotografia e psicanálise. Em que medida estes conhecimentos ajudaram a configurar seu trabalho como fotógrafo?

Na observação seletiva e qualitativa do comportamento do indivíduo perante a “falta”, aquilo que tanto perturba a todos nós. O saber olhar é ver a trilha marcada pelo desejo que provavelmente dará uma bela composição, seja ela consciente ou inconsciente.

A manipulação das imagens marca presente no seu trabalho é uma possibilidade de criar resultados mais interessantes?
Acredito que sim. Manipulo as imagens como fazemos nos nossos sonhos. Tento uma aproximação com o irreal das construções que habita o indizível das pulsões. Através do simulacro é possível fazer várias associações com o objeto do impossível.

As informações publicadas nesta matéria foram fornecidas pelo entrevistado, cabendo a este a responsabilidade sobre os conteúdos veiculados.

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