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Designer formada pela Esdi/UERJ e doutoranda em Comunicação pela PUC-SP, Lucy Niemeyer é professora do curso de design da PUC-Rio e professora de Semiótica do Produto do Pósdesign. Autora de publicações como Design no Brasil: origens e instalação e Tipografia: uma apresentação, publicados pela Editora 2AB, Lucy integra o comitê organizador do P&D 2002 que acontece de 10 a 13 de outubro, na Universidade de Brasília. O congresso vai reunir professores e pesquisadores em design de todo país.

O que mudou no ensino em design no país desde a sua implementação?
Esta é uma questão extensa e complexa. O ensino do design começou na década de 1950, em São Paulo, e depois iniciou o primeiro curso superior na ESDI- Escola Superior de Desenho Industrial, em 1963, no Rio de Janeiro. Nestes anos, muita coisa mudou. As escolas se multiplicaram de forma intensa, com professores de origens e formações diversas, mas não necessariamente divergentes. Entretanto a existência de uma tradição acrítica obstaculiza o aprofundamento da formação em Design. Esta tradição acrítica é o modo como o ensino vem perpetuando modelos pedagógicos inadequados em relação ao conhecimento, tornando-o repetitivo, além das outras questões pertinentes ao próprio ensino de nível superior. O remédio para isso é a pesquisa, que ainda se mostra muito incipiente. Nos últimos anos, há políticas públicas realizando uma revisão dos critérios de avaliação dos cursos de graduação e de pós-graduação no país, que passam a ser mais rigorosos e consistentes, o que leva à revisão do direcionamento do ensino superior em design assim como em todas as áreas.

Qual tem sido o papel da Associação de Ensino/Pesquisa de Nível Superior em Design no Brasil (AenD-BR) neste processo?
Eu tenho acompanhado a AEnD desde sua primeira formação. Até agora a Associação tem privilegiado a tarefa de manter a realização do Congresso P&D no Brasil, o que foi uma grande novidade e significa um avanço na difusão do conhecimento em Design no país. Este ano estamos na quinta versão. Na primeira delas tivemos cerca de 60 trabalhos inscritos, na segunda edição tivemos 100, na terceira 180, na quarta o número chegou a 200 e agora, 350 trabalhos inscritos, havendo sido selecionados cerca de 90% deste total. Há um afluxo crescente de pesquisadores querendo partilhar as suas pesquisas. Mas acho que a AEnD-BR tem outras missões, à medida em que vem amadurecendo enquanto instituição. Para ser representativa, tem que realizar uma ação contínua. Os esforços têm sido centrados em, principalmente, viabilizar o P&D. É uma energia importante, mas há outras atividades que urge implementar: saber quem somos, estabelecer um canal de interação com o a categoria, fazer um censo dos professores e pesquisadores, saber suas necessidades, promover ações para melhoria da qualificação dos professores etc. Estas são missões da AEnD daqui para frente.

O P&D - Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design - , que acontece em outubro na Universidade de Brasília, tem conseguido reunir uma produção científica expressiva na área?
É expressiva não só em quantidade, mas na qualidade dos textos e na pertinência dos temáticas. Estou na organização do P&D desde o primeiro Congresso e por isso tenho uma posição privilegiada, podendo acompanhar o Congresso desde o seu início. As pessoas vêm, paulatinamente, abordando temas com mais profundidade, o que mostra um amadurecimento dos pesquisadores. Vemos o surgimento de novos pontos no país que começam a participar com mais vigor. Os alunos do Pósdesign, por exemplo, enviaram um número expressivo de artigos, fato este, acredito, decorrentede uma demanda do curso. Pode-se atribuir a Suzi Mariño, coordenadora do Pósdesign, este resultado - a presença consistente da UnEB neste ano no Congresso.

E quanto ao Congresso de Pesquisa em Design deste ano, qual sua opinião sobre os trabalhos inscritos e selecionados?
Além de ser do Comitê Organizador do P&D, integro o seu Comitê Técnico, que avalia os artigos, todos sob anonimato. Avaliei entre 15 e 20 papers e, como tarefa de organização, tive algum contato com todos os trabalhos. Os que avalei, achei muito bons, com objetos diversos, quadros teóricos consistentes, referência bibliográfica boa e atualizada. Desta avaliação atenta e da varredura de todos os trabalhos que fiz, eles me pareceram, em geral, de bom nível.

Apesar de muitos cursos de especialização estarem sendo criados, a produção científica e a formação de docentes em design tem sido prejudica pela existência de apenas um mestrado em design em todo país?
Temos conseguido bons resultados a despeito de termos só um mestrado e se considerarmos o tamanho do país. E também se considerarmos o custo operacional e financeiro para alguém se deslocar para a PUC-Rio, que nem pode atender toda a demanda. Acho que esta situação está em vias de mudar, porque outras instituições no Paraná, Recife, Santa Catarina estão em processo de criar seus mestrados. Principalmente, porque se tem agora um número crescente de doutores, que é condição para se formar mestrados. Mas, além disso, a instituição ter precisa ter vontade política para viabilizar um programa de pós-graduação. Ainda não temos nenhum doutorado em design. O primeiro que deve começar no ano que vem na PUC-Rio, que já está na etapa final do processo de obter autorização da Capes para implantá-lo.

As informações publicadas nesta matéria foram fornecidas pelo entrevistado, cabendo a este a responsabilidade sobre os conteúdos veiculados.

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