| Álvaro Guillermo foi presidente
da Associação Brasileira de Ensino de Design, presidente
latino americano de educação de design gráfico,
consultor de design da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará,
consultor de design da prefeitura de São Bernardo do Campo,
tendo desenvolvido o programa para o setor moveleiro SBC Design,
júri do concurso do Museu da Casa Brasileira (1994), júri
da Bienal de Design de 1990 e 1992. Autor do livro Design do Virtual
ao Digital, Guillermo discute nesta obra o "fazer design"
e os rumos da profissão a partir do avanço tecnológico
dos últimos anos. Uma das mais recentes peças do autor
de Design do Virtual ao Digital pôde ser conferida no evento
Brasil Faz Design 2002: as nadadeiras idealizadas por Guillermo
em parceria com o nadador Gustavo Borges.
Por que decidiu escrever o livro Design do Virtual ao Digital?
Com a inserção da tecnologia digital no nosso cotidiano
e praticamente em toda a indústria, várias mudanças
ocorreram, principalmente a dificuldade de acompanhar visualmente
o processo. Neste momento o design aproxima-se da tecnologia facilitando
seu uso e potencializando seus resultados. Muitos têm escrito
sobre a tecnologia digital, outros sobre a relação
com esses equipamentos, mas poucos tem valorizado o papel do design
neste processo. E é disso que eu trato.
Fale um pouco mais sobre os temas relacionados
ao design que o livro destaca?
Basicamente é sobre a relação com o design.
O homem convive com imagens e objetos desde nossas origens, temos
associado esta relação às artes, e seu estudo,
à história e antropologia. Nos últimos 200
anos um profissional começou a se destacar nesse processo,
o pensador dessas imagens e objetos, o designer. O desenvolvimento
da tecnologia e dos processos de produção permitiram
que esse pensador se destacasse do "fazedor". Chegando
hoje a um novo momento com a tecnologia digital, o que há
de novo é que a tecnologia apresenta um novo ambiente, que
não é material, é digital e virtual.
Com o advento das novas tecnologias e a constante necessidade de
atualização profissional, qual a importância
do seu livro como fonte de consulta para estudantes de desenho industrial,
design, profissionais de comunicação e educadores?
Para os estudantes o livro contribui para suprir a necessidade de
literatura em português que aborde o assunto, contribuindo
para que eles fiquem bem informados. Do Virtual ao Digital mostra
que o design está associado à tecnologia e do ponto
de vista do estudo, esta separação não ocorre,
nem na definição do design. A visão mais generalista
contribui para que o aluno compreenda a profissão, independente
de sua especialidade.
Tem um capítulo dedicado à necessidade de se utilizar
as novas tecnologias e principalmente a imagem como recurso de apoio
à educação. O design associado ao ambiente
digital potencializa a educação através do
poder de comunicação que ele permite.
O livro aborda a relação estreita que se estabelece
entre o design e as novas tecnologias da informação,
principalmente a partir do uso da tecnologia digital. O design torna-se
um facilitador do uso dessa tecnologia, incrementando a comunicação.
De que forma as instituições de Ensino Superior brasileiras
têm preparado os futuros designers para o mercado?
Existem várias formas, pois há muita diversidade de
currículos, o que acho bom. Algumas escolas mantém
o antigo formato de formação básica em dois
anos e a especialização por habilitação
em mais dois.
Mas surgiram novos cursos com novos perfis. O importante é
o estudante verificar bem esses currículos antes de escolher
a universidade. O mercado sabe fazer essa seleção
melhor, pois quando o profissional não está preparado
para atender prontamente às solicitações é
imediatamente substituído. Mas a história demonstra
que temos bons profissionais no mercado e os melhores têm
uma história dedicada ao estudo e à prática.
De que modo a internet, as informações
do mundo virtual e a utilização das mais avançadas
ferramentas da informática têm contribuído para
o aprimoramento das criações dos profissionais de
design?
Para aqueles que estudam e utilizam a tecnologia digital, o livro
contribui para demonstrar que o design facilita e populariza o uso
dessa tecnologia.
Muitos utilizam a tecnologia sem conhecimento profundo da mesma
e num curto prazo, as conseqüências podem ser verificadas.
O design do ponto de vista material, é fácil de ser
percebido, pois a relação com o usuário é
visível, já o design digital, que estabelece a interface
entre o usuário e o software, torna a percepção
mais distante. A ação fica mais interessante, pois
não é percebida, mas é utilizada, tornando
eficaz a "navegação" do usuário pelos
softwares. Por outro lado, todo o ambiente que é virtual
e digital somente torna-se visível graças ao design. |
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O que é
possível adiantar como tendências para as próximas
décadas, quando falamos em design em tempos de constante
atualização tecnológica?
Não temos como fazer previsões. Há alguns anos
muito do que temos hoje foi descartado, pois achávamos que
não seria utilizado. Mas as tendências mostram que
os produtos, principalmente digitais, terão que ser eficazes
no seu uso. Muitos, na linha do plug and play, ou seja, ligamos
e usamos sem ler o manual, mesmo sem tê-los utilizado antes,
fator que demonstra que o desenho deles é tão bem
desenvolvido, que é possível utilizá-los, mesmo
não desconhecendo o processo. Também serão
mais amigáveis, possibilitando o desenvolvimento de ações
complicadas, de forma fácil. Acho que na América,
principalmente no Brasil, terão uma carga de bom humor. Acredito
que terei prazer em comprá-los e diversão ao utilizá-los.
As informações publicadas
nesta matéria foram fornecidas pelo entrevistado, cabendo
a este a responsabilidade sobre os conteúdos veiculados.
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