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Como começou sua trajetória no design?

Em 1990, no terceiro ano da faculdade de design, precisei começar a trabalhar para poder pagar os estudos. Fui conversar com alguns professores para saber como enriquecer meu CV para trabalhar na área. Um deles, o Prof. José Tessarine, deixou clara a importância da diferenciação do curriculo através de cursos e de um bom portifolio. Na época o que estava sendo valorizado na indústria era: conhecimento em AutoCad, Rendering e modelagem manual (mock-ups). Comecei pelo rendering, pois além de muito útil, já me forneceria um bom portifolio.
Logo após o primeiro curso comecei a fazer free-lance para escritórios de design (paguei o curso com o primeiro trabalho) e com o dinheiro fiz todos os outros cursos sugeridos por meu professor e amigo, melhorando muito meu portifolio.
Quando a Caloi (bicicletas) abriu uma vaga para estágio em design de produto, decidi que era o momento de dar tudo de mim. Fiz todos os testes do processo de seleção, e ao final, fui chamado para o preenchimento da vaga. Porém, quando meus futuros chefes viram os desenhos e renderings, decidiram que eu poderia começar já efetivado, como designer trainee.
E foi assim que, no terceiro ano do curso de design, eu já era designer de uma das mais importantes empresas do setor do Brasil. Isso me abriu muitas portas, pois uma vez dentro da área, fica cada vez mais fácil se especializar e se valorizar.


Em que áreas você mais atuou?

Além de bicicletas e aparelhos de ginástica, atuei também na área automobilística e construção civil, até abrir minha própria empresa, em 1996. A partir de então atua na área de bens de consumo (purificadores de água, utensílios domésticos e maçanetas residenciais), equipamentos laboratoriais de precisão, artigos esportivos e equipamentos de informática.


Como surgiu a Creare Design neste percurso?

A realidade é que em toda empresa que eu trabalhava, o departamento de design era o primeiro a ser extinto em crises financeiras, específicas das empresas ou da realidade do país, devido ao seu alto custo de manutenção (software, hardware, estrutura operacional, atualização constante dos designers, etc.).
Mas o problema é que estas empresas fechavam seus departamentos nos momentos de crise (reduzindo custos) mas depois, quando a situação melhorava, não tinham mais produtos competitivos no mercado, ou como chamavam, cartas na manga.
Percebi então que montando um escritório, cada cliente teria sempre uma estrutura adequada sempre disponível às suas necessidades. Com vários clientes em diferentes segmentos, seria possível “flutuar” pelas crises econômicas.
E foi assim que nasceu, em 1996, a Creare Design.


Que trabalhos desenvolvidos na Creare Design você destacaria?

Na Creare buscamos sempre evitar os projetos de styling (rejuvenescimento de produtos), pois quando o designer o faz, limita-se a atender principalmente as necessidades do empresário que o contratou. Seu compromisso é com a curva de vendas.
Dentro de projetos mais conceituais, ou de design, se preferir, destacaria o projeto do No Break Manager III, da SMS, que oferece ao usuário a opção de utilizar o controle remoto sobre a mesa enquanto o nobreak pode ser posicionado fora da área de trabalho do operador, economizando o espaço já crítico sobre a mesa.
Outro projeto interessante foi o purificador Europa By Hebe. Nossa proposta foi eliminar a necessidade de retrolavagem (limpeza periódica das câmaras de purificação, realizada a contra-gosto pelo usuário) e a necessidade de acionar a assistência técnica para a troca periódica destas mesmas câmaras.
O resultado foi a câmara plug and play atual, que está migrando para todos os modelos da marca e favorecendo a manutenção correta do aparelho, protegendo a saúde do usuário.

No ano passado o projeto de design de óculos de sol modelo 36, desenvolvido para a empresa Spy Sunglasses pela Creare Design, recebeu menção honrosa no concurso Opus Design Award 2002, realizado no Japão. Qual o diferencial deste projeto?

Os óculos de sol esportivos, que estão muito na moda hoje, utilizam lente em policarbonato com curvatura 8, que por sua curvatura fechada (para envolver o rosto) aumentam o problema de dioptria, que é a “quebra” das linhas de visão causada pela refração (efeito prisma).
Isto faz com que o cérebro tenha que corrigir esta distorção visual durante todo o tempo em que o óculos está sendo usado, causando canseira, sono, tontura ou até mesmo dor de cabeça. E raramente o usuário associa o desconforto ao óculos. Na verdade, iniciamos esta pesquisa junto a oftamologistas e o IPT ao verificarmos que na praia as pessoas colocam e tiram o óculos o tempo todo, revezando entre o desconforto óptico e o neurológico.
Neste projeto, procuramos diminuir o ângulo entre as lentes para possibilitar a visão através da espessura da lente, reduzindo o efeito prisma causado pela curvatura da lente. Assim, a região da lente coberta pela varredura da visão binocular é praticamente perpendicular ao ângulo de conforto visual.
Outro ponto importante deste projeto é a haste em poliamida. Ela tem uma protuberância perto do eixo de giro que trava quando aberta, pela interferência com a armação, e sua curvatura de fechamento oferece uma pressão adequada à caixa craniana que impede seu desprendimento por inércia, em casos de desaceleração (lembrando que é um objeto projetado para uso esportivo).


Em suas aulas de rendering, os alunos se surpreendem com os resultados obtidos empregando-se técnicas artísticas. Os alunos se convencem de que é possível trabalhar sem o computador?

Depende do nível e do interesse particular do aluno. Os alunos de pós-graduação já chegam ao curso com experiência, dúvidas pertinentes e uma visão menos romântico do uso do computador. Estes alunos geralmente chegam querendo melhorar suas técnicas de representação, pois já vivenciaram a experiência de não conseguir passar uma idéia ao cliente e sentiram a frustração de ver um produto seu nascer sendo menos do que poderia.
Na graduação isso é mais difícil, pois os alunos costumam imaginar uma realidade que raramente condiz com o universo do design de produtos, com supercomputadores e programas que chegam a custar um milhão de dólares. É lógico que existem aqueles alunos ávidos por informação que compreendem melhor a importância de sua formação acadêmica, que invariavelmente elevam o nível da classe e ingressam rapidamente no mercado de trabalho.
O computador é uma ferramenta muito importante e deve ser utilizada, mas contribui muito mais na execução do projeto do que propriamente na elaboração dos conceitos. A indústria hoje está muito carente de profissionais de criação, com habilidade em gerar idéias e materializá-las quase que instantaneamente. Um designer automobilístico chega a gerar 30 propostas (sketches) em um único dia de trabalho, enquanto um modelador digital fará, com muita habilidade uma única proposta.

As informações publicadas nesta matéria foram fornecidas pelo entrevistado, cabendo a este a responsabilidade sobre os conteúdos veiculados.

- Robson Santos

- Anamaria de Moraes
- Lourisvaldo Valentim
- Gilberto Strunck
- Aliás Comunicação
- Eduardo Vieira
- Érika Foureaux
- Marcelo Márcio Soares
- José Abramovitz
- Amilton Arruda
- Stephania
- Sydney Freitas
- Cleomar Rocha
- Élio Grossman
- Mônica Tavares
- Fábio Righetto
- Hernane Pereira
- Álvaro Guillermo
- Ana Beatriz Simon Factum
- Lucy Niemayer
- Antônio Neto
- Anamaria de Moraes
- Milton Francisco Júnior
- Carlo Vezzoli
- Maurício Duque
- Dijon de Moraes