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Fale um pouco sobre o objetivo da pesquisa que vem desenvolvendo sobre usabilidade de    mapas de navegação em sistemas hipertextuais:

Basicamente, estamos pesquisando algumas características que poderiam facilitar o uso dos mapas de navegação, considerando a facilidade de identificar os links, reconhecer áreas já visitadas, revisitar telas-chave, etc. Mais especificamente, objetivamos: (a) verificar a influência do uso da cor e de imagens simplificadas como técnicas de diferenciação em mapas abstratos na eficácia na realização de tarefas de busca e desenvolvimento de mapas cognitivos; (b) verificar a influência do uso de metáforas (espaciais ou não) sobre as mesmas variáveis (eficácia na tarefa e desenvolvimento de mapas cognitivos).

Normalmente, quais os maiores problemas encontrados pelo usuário na navegação de sites?

O problema mais freqüentemente citado na literatura e também o mais mencionado em questionários de satisfação do usuário, é a desorientação. A desorientação envolve tanto a dificuldade do usuário em saber onde está na rede, que locais pode visitar a partir do nó onde se encontra e como retornar a locais já visitados, ou seja, há um componente global e um componente local. Porém, há que se considerar também o problema da sobrecarga cognitiva. Quando utilizar o sistema de navegação envolve os recursos cognitivos do usuário (exemplo memória, concentração) de forma a competir com a tarefa informacional principal, ocorre a chamada “sobrecarga cognitiva”. Os dois problemas estão ligados, pois a sobrecarga cognitiva pode, por exemplo, ocorrer devido à necessidade de “automonitorar” os caminhos percorridos e lembrar de locais a visitar posteriormente dentro do hipertexto, pela ausência de ferramentas de auxílio à navegação que realizem essas funções.

Como a ergonomia pode ajudar neste processo?

A Ergonomia pode ajudar fornecendo subsídios teórico-metodológicos para a avaliação e projeto desses sistemas. Existem diversos métodos participativos para envolver o usuário, desde os estágios iniciais do projeto até a avaliação do protótipo final. Só para citar alguns exemplos, há as técnicas de análise da tarefa, que auxiliam a identificar a necessidade informacional do usuário em cada atividade da tarefa e verificar a adequação de cada estilo de interação. Há as técnicas de estruturação da informação do tipo card-sorting, em que o próprio usuário participa da organização da informação em tópicos e sub-tópicos. Por fim, há os diversos tipos de teste de usabilidade para verificar a eficácia, a eficiência e a satisfação do usuário com a interface. Além da metodologia, existem diversas recomendações resultantes de pesquisas experimentais que podem ser aplicadas ao projeto de interfaces para melhorar a navegabilidade do sistema.

As dificuldades de navegação não seriam uma questão de que os usuários ainda não    aprenderam a estratégia de leitura proposta pela internet? Não estamos acostumados    demais com a linearidade dos textos impressos?

A resposta a essa pergunta está nos próprios fundamentos da Ergonomia: o sistema deve se adaptar ao usuário, e não o usuário ao sistema. Se a estratégia de leitura proposta pela Internet não está sendo compreendida pelos usuários ela não deveria estar lá! Poderíamos argumentar que parte dos problemas sentidos pelos usuários se deve a inexperiência, mas o que ocorre é que mesmo usuários experientes se sentem completamente desorientados em sites mal projetados. A questão da não-linearidade também deve ser questionada. Muitos sites não utilizam referências cruzadas, são extremamente lineares e mesmo assim os usuários têm dificuldade de navegar pela deficiência da orientação global e local fornecida pelo sistema de navegação e ausência ou ineficácia de suas ferramentas de auxílio à navegação. Resumindo, acho que os problemas de desorientação e sobrecarga cognitiva não são inerentes ao sistema hipertextual ou fruto da inexperência dos usuários, e sim resultado de sistemas de navegação projetados arbitrariamente de acordo com as convicções do próprio projetista, sem a consulta às pesquisas de usabilidade já realizadas e sem envolver os usuários finais do sistema.

As informações publicadas nesta matéria foram fornecidas pelo entrevistado, cabendo a este a responsabilidade sobre os conteúdos veiculados.

- Robson Santos

- Anamaria de Moraes
- Lourisvaldo Valentim
- Gilberto Strunck
- Aliás Comunicação
- Eduardo Vieira
- Érika Foureaux
- Marcelo Márcio Soares
- José Abramovitz
- Amilton Arruda
- Stephania
- Sydney Freitas
- Cleomar Rocha
- Élio Grossman
- Mônica Tavares
- Fábio Righetto
- Hernane Pereira
- Álvaro Guillermo
- Ana Beatriz Simon Factum
- Lucy Niemayer
- Antônio Neto
- Anamaria de Moraes
- Milton Francisco Júnior
- Carlo Vezzoli
- Maurício Duque
- Dijon de Moraes